Mostrando postagens com marcador koan. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador koan. Mostrar todas as postagens

domingo, 16 de novembro de 2014

Aprendizado além do verbo

Conversando com pessoas amigas e refletindo a respeito, acredito que Jesus Cristo tenha utilizado a parábola como forma de transmissão de ensinamento por ser uma forma eficaz de aprendizado que transcende o tempo e universaliza o exemplo dado, podendo ser aplicado na vida pessoal de qualquer pessoa - se esta estiver disposta a aprender.




Não é muito diferente o caso dos koans: espécie de  narrativa, diálogo ou pergunta, o koan oriunda do budismo zen , e contém aspectos que são inacessíveis à razão. Desta forma, o koan tem, como objetivo, propiciar a iluminação espiritual do praticante de budismo zen através da interrupção do seu fluxo de pensamentos. São contos , perguntas ou afirmativas que causam impacto no fluxo de pensamento; permitindo ao indivíduo uma reflexão, insight ou questão que foge ao raciocínio meramente intelectual.Isso permite que a pessoa entre em contato com as suas emoções, podendo criar novas formas de ver, sentir ou pensar sobre uma determinada questão, comportamento ou modo de ser. Em suma, o koan, parábolas ou algo similar faz com que o indivíduo escape da racionalização, que afrouxe suas defesas intelectuais a fim de estabelecer novas conexões mentais.




Vejamos um exemplo de koan:



Nada Existe

YAMAOKA TESSHU, quando um jovem estudante Zen, visitou um mestre após outro. Ele então foi até Dokuon de Shokoku. Desejando mostrar o quanto já sabia, ele disse, vaidoso: "A mente, Buddha, e os seres sencientes, além de tudo, não existem. A verdadeira natureza dos fenômenos é vazia. Não há realização, nenhuma delusão, nenhum sábio, nenhuma mediocridade. Não há o Dar e tampouco nada a receber!"
Dokuon, que estava fumando pacientemente, nada disse. Subitamente ele acertou Yamaoka na cabeça com seu longo cachimbo de bambu. Isto fez o jovem ficar muito irritado, gritando xingamentos.




"Se nada existe," perguntou, calmo, Dokuon, "de onde veio toda esta sua raiva?"