sábado, 10 de março de 2012

IDADE NÃO TEM IDADE

Vocês sabem que eu sou fã incondicional do Karnal e que quando eu crescer eu vou fazer filosofia ou, como o Karnal, história das religiões.Vejam esse trecho do vídeo, no tema da "idade perfeita". Vale a pena, porque a gente pensa que o ideal está sempre retrógrado ou adiante de nossos olhos.E assim, a vida passa.E  por isso não é usufruída no seu aqui e agora.




sábado, 5 de novembro de 2011

ABORTO E CULPA

Ela tem 53 anos, dois filhos.Carrega consigo uma culpa que não a deixa em paz. Diz: "eu abortei aos 17 anos, me convenceram a fazer isso, depois disso carrego esse fardo comigo até hoje".


A maioria das mulheres que abortam carregam culpa dentro de si.Em diferentes graus, a culpa pode ser tanta a ponto de tomar conta da vida da pessoa e impedí-la de seguir em frente, ter novos filhos, trabalhar e investir na carreira, etc.



O problema do abortamento está na culpa: o ato já foi consumado? Então está na hora de perdoar-se. Enquanto você, mulher, não se perdoar, não poderá reparar a sua culpa.


O que quer dizer "reparar a culpa"? Primeiro, perdoando-se.Sem o auto-perdão, você não vai conseguir atingir o próximo passo que é agir. Procurar reparar a sua dor de uma forma que a faça sentir-se realizada: seja permitindo-se ter outros filhos e curtindo a maternidade, tornado-os conscientes para um mundo melhor, seja ajudando em um trabalho voluntário junto a crianças em orfanatos, ONG's...O importante é perdoar-se e recomeçar.Isso não significa apagar o passado, mas torná-lo menos penoso e continuar crescendo como ser humano.

Perdoe-se.Continue em frente e progrida.Você pode ajudar muitas mulheres que, no desespero e sem orientação, podem evitar cometer o mesmo erro que você cometeu.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Escrava de si mesma





Ela está sempre na cozinha.Sempre a fazer a comida para o marido, para os filhos que já são adultos e casados.Eles levam tudo prontinho, nos finais de semana.Encarquilhada no seu corpo combalido pelo tempo e pela luta da vida, esqueceu que é uma mulher, que tem dores e doenças.Nada importa, só o trabalho.Teme ser chamada de vaidosa, por isso não se cuida - sequer da saúde.Sempre viveu cuidando dos irmãos; parou de estudar para cuidar deles.Agora, aos sessenta e tantos anos, não consegue de parar de cuidar dos filhos, que, mesmo casados, se aproveitam da situação cômoda de ter uma mãe que lhes provê alimento, e até mesmo as compras de casa.


Ela não consegue e nem quer fazer diferente.Cuidar de si?! Ninguém a ensinou a fazer isso.Beleza?Outrora fora bela, cobiçada, e seus pais a "protegeram do mundo", vindo a casar com um homem que só sabe trabalhar compulsivamente.Ela se acha na mesma obrigação: trabalhar- em prol dos outros, e jamais de si mesma.


Quando compra algo para si, é como se cometesse uma infração.Egoísmo não faz parte do vocabulário, tampouco auto-estima.Os únicos momentos em que está feliz é quando cuida de suas plantas...belas flores e frutos que cultiva em seu pequeno jardim.Porque as plantas???Elas não julgam, não perguntam e nem questionam - e essas são as coisas que ela mais teme.


Há perspectiva de mudança dessa mulher?Perguntem as plantas.Só a vida dirá.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Não é depressão.É medo



Muito sono era sua queixa.Sem vontade de fazer as coisas, segundo me contava.Parou de estudar quando casou, há 2 anos.Gostaria agora de voltar a estudar e trabalhar.O marido apóia, mas, segundo ela, " não me incentiva".O casal optou por não ter filhos, por enquanto.Alimenta-se  normalmente, boa aparência, digo, unhas e cabelos cuidados, bem vestida.Fala de forma tranquila, com detalhes de sua vida.


"Eu tenho depressão".Já me trouxe o diagnóstico."Se não estivesse deprimida, teria iniciativa para sair de casa, procurar trabalho, retornar a faculdade".Quando pensa em fazer isso, sente-se cansada e com sono.E dorme.Dorme de tarde, quando geralmente já terminou as tarefas do lar e não há mais nada a fazer.


A medicação antidepressiva parece ser a solução.Para ela.Curiosamente, seu humor não está deprimido.Fala dos fracassos do passado, pessoais e profissionais, e, principalmente, do quanto se arrepende de não ter ousado mais na vida e feito escolhas que ela queria e não as que supriam a expectativa alheia.Tem medo de que tudo o que venha a fazer não dê certo.Acredita que foi vítima das circunstâncias do passado, que "não teve a sorte de muitos".


Medo, vitimização e culpa perpassam todo o seu discurso.


Antidepressivos resolvem???



domingo, 21 de agosto de 2011

A banalização do patológico



Veio através do seu esposo, que a trouxe.Prefere ser consultada sozinha.Conta que seu marido reclama que ela tem "mania de " vomitar após algumas refeições, principalmente as mais calóricas.Pergunto-lhe no que posso ajudar.Disse que "nada", que achava vomitar "natural", não havia o que tratar.Conseguia manter seu peso, sem "traumas"."Vomitar não é traumático?", pergunto."Fácil, nem coloco o dedo para isso".

Quantas mulheres e quiçá, homens mantém o ato de binge eating, vomitam e convivem com isso sem achar necessário uma avaliação e tratamento? E aí vem a pergunta, cultural histórica, se lembrarmos que medievais faziam lautas refeições e vomitavam em seguida para comer ainda mais: tratar ou não tratar? Melhor: quando tratar, ouso perguntar, em meio a uma sociedade consumista e quase que "naturalmente compulsiva"?


SESSÃO FILOSOFIA: MEDO, RELIGIOSIDADE E CULPA

domingo, 26 de junho de 2011

"Melhor não mexer nisso"


Fazia uso de antidepressivos desde a adolescência, quando, as vésperas de sua formatura em publicidade, tentou suicídio.Faz 20 anos que isso ocorreu.Desde então, não parou mais de tomar antidepressivos."Eu conheço todos os antidepressivos do mercado", diz, com certo orgulho.Pergunte-lhe se tentara suicídio outras vezes."Não de forma séria", diz, cabisbaixa."As duas outras vezes foram quando eu me separei e quando passei o réveillon sozinha, em 1982".Nunca terminou uma psicoterapia."Ela (a psicoterapia) perde o sentido no meio do caminho".

Atualmente, faz uso de antidepressivo apenas."Minha vida é um tédio, do trabalho em uma agência publicitária, onde faz "um trabalho praticamente burocrático" para casa e vice-versa".Mora sozinha com seus dois cachorros, que trata "como se fossem os filhos que eu não tive".

Pergunto se não gostaria de reiniciar uma psicoterapia, pois reclama que sente-se sozinha e sem perspectivas.Taxativamente, responde: "melhor não mexer nisso".